Na Carrer de la Princesa, em Barcelona, uma escultura chama atenção de quem passa.
A obra El Esfuerzo, do artista Jaume Plensa, retrata uma mulher curvada sob o peso de eletrodomésticos, móveis e utensílios domésticos. Ao redor dela, crianças se apoiam em seu corpo.
A imagem é impactante — e profundamente simbólica.
Ela representa a carga invisível que tantas mulheres sustentam diariamente. Não apenas no espaço privado, mas também no mercado de trabalho, onde exercem liderança, tomam decisões estratégicas e impulsionam resultados.
No mês de março celebra-se o Dia Internacional das Mulheres — uma data que nasceu da dor coletiva e, ao longo do tempo, transformou-se em legado de coragem, luta e transformação social.
Falar sobre mulheres no mundo do trabalho não é apenas um gesto simbólico.
É um posicionamento institucional, uma decisão estratégica e um investimento na competitividade sustentável das organizações.
O peso invisível — e a potência silenciosa
No Brasil, milhões de mulheres são chefes de família e sustentam sozinhas casa, filhos e carreira.
Globalmente, estudos indicam que mulheres dedicam, em média, mais que o dobro do tempo dos homens ao trabalho de cuidado não remunerado.
A campanha “Cuidado é Trabalho” , do Think Olga, estimou que, se esse cuidado — exercido majoritariamente por mulheres — fosse remunerado, representaria cerca de 11% do PIB brasileiro.
Ou seja, trata-se de uma força econômica gigantesca, mas frequentemente invisível.
Esse contexto ajuda a explicar por que tantas mulheres desenvolvem competências extraordinárias de:
articulação
priorização
negociação
gestão simultânea de múltiplas demandas
Essas habilidades não surgem de um cenário ideal.
Elas nascem de contextos complexos que exigem adaptação, resiliência e inteligência relacional.
E é justamente nesse ponto que emerge um conceito poderoso.
No livro Antifrágil: Coisas que se Beneficiam com o Caos, o pesquisador Nassim Nicholas Taleb apresenta uma ideia provocadora.
Existem sistemas que não apenas resistem à pressão — eles melhoram com ela.
Não são apenas resilientes.
São antifrágeis.
Quando trazemos esse conceito para o universo corporativo, encontramos um paralelo interessante.
Em muitos contextos organizacionais, a liderança feminina demonstra essa capacidade de evoluir sob pressão.
Mulheres frequentemente enfrentam desafios como:
desigualdade salarial
deslegitimação técnica
interrupções em reuniões
vieses inconscientes
assédio ou microviolências simbólicas
Diante desses cenários, muitas desenvolvem uma musculatura emocional, estratégica e relacional diferenciada.
Destacar essa capacidade feminina não significa romantizar a sobrecarga ou justificar desigualdades, mas reconhecer um ativo organizacional frequentemente subaproveitado.
Hoje, diversas pesquisas internacionais apontam que empresas com maior presença feminina em cargos de liderança apresentam resultados superiores.
Entre os principais benefícios identificados estão:
melhores resultados financeiros e maior competitividade
maior inovação e capacidade de resolver problemas complexos
clima organizacional mais inclusivo e colaborativo
maior retenção e engajamento de talentos
fortalecimento da reputação institucional
Estudos conduzidos pela Oxford Leadership, por exemplo, mostram que organizações com maior diversidade na liderança tendem a ter melhor reputação junto a clientes, investidores e parceiros.
Isso acontece porque muitas pessoas preferem se relacionar com empresas alinhadas a valores de igualdade, inclusão e responsabilidade social.
Portanto, a presença feminina em posições de liderança não é apenas uma pauta social.
É também uma estratégia organizacional inteligente.
Competências como escuta ativa, visão sistêmica, gestão colaborativa, maturidade emocional e capacidade de influenciar sem autoritarismo são cada vez mais necessárias em ambientes de alta complexidade e transformação constante.
Vivemos um momento de profundas transformações no mundo do trabalho.
Organizações enfrentam desafios cada vez mais complexos:
mercados voláteis
transformação digital acelerada
necessidade de inovação contínua
expectativas sociais mais elevadas
Nesse cenário, modelos de liderança baseados exclusivamente em hierarquia e controle tornam-se insuficientes.
O futuro das organizações exige lideranças capazes de integrar:
estratégia e sensibilidade humana
decisão e escuta
resultados e propósito
E a diversidade — especialmente na liderança — torna-se um fator essencial para ampliar perspectivas e fortalecer a tomada de decisão.
Na Ação Consultoria, acreditamos que promover a liderança feminina é mais do que um posicionamento institucional.
É um compromisso estratégico.
Hoje:
60% do nosso time de especialistas é composto por mulheres
50% da composição societária e diretiva é feminina
Esses números não são fruto do acaso.
Eles refletem uma escolha consciente de construir um ambiente onde diversidade, competência e protagonismo caminham juntos.
Buscamos entregar aos nossos clientes aquilo que praticamos internamente:
valorização da diversidade, desenvolvimento de lideranças conscientes e fortalecimento de culturas organizacionais mais equilibradas e sustentáveis.
Como parte desse compromisso, desenvolvemos iniciativas voltadas ao fortalecimento da liderança feminina nas organizações.
Entre elas estão:
Um programa estruturado para fortalecer competências essenciais da liderança consciente e transformadora, ampliando repertório estratégico, posicionamento executivo e capacidade de tomada de decisão.
https://www.acaoconsultoria.com/coaching-executivo-e-life-coach/
Experiências formativas voltadas ao desenvolvimento de liderança em contextos complexos, incluindo temas como:
liderança e presença executiva
comunicação estratégica
tomada de decisão sob pressão
Essas iniciativas são desenhadas para apoiar mulheres que desejam ampliar seu impacto dentro das organizações — e empresas que desejam fortalecer seus times de liderança.
https://www.acaoconsultoria.com/palestras-e-treinamentos/
Reconhecer desafios históricos é necessário.
Valorizar trajetórias e conquistas é justo.
Mas transformar o cenário exige mais do que reconhecimento simbólico.
Exige investimento intencional no desenvolvimento feminino dentro das organizações.
A escultura de Barcelona nos lembra do peso histórico.
O conceito de antifragilidade nos lembra da potência evolutiva.
E o mercado nos mostra algo cada vez mais evidente:
A pergunta que fica para líderes e empresas é simples:
Estamos apenas admirando a força das mulheres — ou estamos de fato ampliando espaços, criando oportunidades e estruturando ambientes onde essa força possa se transformar em impacto sustentável?
Se sua organização deseja avançar nessa agenda de forma estruturada e estratégica, nosso time está pronto para essa conversa.
Vivìane Gaspar
Especialista em Liderança Consciente, Saúde Mental e Bem-Estar